Publicado Quarta-feira, Agosto 05, 2009 por máximo. 
Uma destas semanas fui visitar um mercado informal de Maputo, de seu nome, Mandela. Um daqueles mercados e ambientes onde não é nada usual a presença de mulungos ( brancos ). A atmosfera era inicialmente desconfiada, mas rapidamente se desvaneceram as distancias culturais e houve uma interacção desinteressada e franca.
Em conversa com as mulheres tive uma grande lição de economia comunitária. A forma como gerem o seu negócio, como se entreajudam e como aplicam as suas poupanças.
Surpreendeu-me encontrar um grande mercado que parecia um centro comercial de restaurantes, em que a presença de uma mesa era o bastante para o anunciar. A mistura do cheiro da comida, a simpatia das pessoas, as condições precárias das "cozinhas", a luz que se misturava com o fumo do carvão criavam uma atmosfera que convidava a ficar e a tomar uma cerveja.
Os preços eram simbólicos e acessíveis às magras bolsas moçambicanas. O tempo corria devagar e harmónico naquele lugar afastado de intrigas políticas e onde cada um conta pelo que faz e não pelo que tem.
Entretanto, na cidade e no país político discutia-se com indignação o nome escolhido pelo presidente da república para baptizar a ponte que une o norte ao sul de Moçambique, a ponte do rio zambeze, de seu nome, o do próprio presidente. Que original!
Etiquetas: Ambiências
Publicado Quarta-feira, Junho 24, 2009 por máximo. 
Em Moçambique costuma-se dizer que quem bebe a água do Rovuma, um rio do norte de Moçambique, nunca mais quer de lá sair. Do país, não do rio. Estou de volta à Europa para umas breves férias mas a verdade é que sinto já saudades daquele continente.
Estou tramado, vai ser um desassossego quando um dia tiver que regressar de vez. Terei?... talvez um dia...
Etiquetas: Intimidades
Publicado Sexta-feira, Junho 19, 2009 por máximo. 

As estrelas serão as nossas testemunhas. De preferência as que iluminam esses lugares de silêncio sagrado que fazem descobrir a essencia do ser, os desertos.
Etiquetas: Pele
Publicado Terça-feira, Junho 16, 2009 por máximo. 

Nos últimos tempos fui a dois casamentos. Dizia alguém que não recordo já quem seria, que no casamento é cada vez mais necessário o sexto sentido. Sobretudo depois do quinto divórcio.
Nunca chegarei a essa fase fatigante. Como também alguém já dizia, errar é humano, perseverar no erro é diabolico.
Paz!
Etiquetas: Séries
Publicado Quarta-feira, Junho 10, 2009 por máximo. 

Naquele dia ela chorava. Corria-lhe na face uma lágrima fluente que ziguezaguiava nas curvas do seu rosto.
Aquela lágrima não era em vão, era um gota que iria banhar o rio das plenas emoções que cada dia se desenhavam e afirmavam no horizonte. Sim, a vida estava a mudar e para melhor!
Já dizia o Pessoa, “quando a alma se agiganta a tristeza também canta.”
Etiquetas: Ambiências
Publicado Quinta-feira, Maio 21, 2009 por máximo. 
Corria-lhe no sangue uma vontade louca de amar. Era um desejo profundo do seu corpo. Mas não queria amar por amar, queria amar aquela mulher por quem um dia se tinha apaixonado e por quem tinha dado não só o seu corpo mas também a outra parte imaterial do seu ser.
A mulher por quem se apaixonou, com o tempo, foi-se desmaterializando, perdendo a sombra até deixar de se ver. Esfumou-se no tempo que o enrugou. Ele, continuava à espera todos os dias já com uma esperança murchada e seca.
Os vizinhos viam naquele homem um ser que não tinha sido e que se deixara perder no seu caminho descaminhado e não percebiam porque insistia todos os dias em olhar para o mar. Ele respondia dizendo que a mulher se tinha desmaterializado porque tinha virado sereia e, porque ele não sabia nadar, esperava por ela na margem, onde um dia, naquela rocha, a havia beijado.
Consta que ele também se esfumou e virou lapa. Naquela rocha niguém mais se voltou a sentar nem a beijar.
Etiquetas: Séries
Publicado Quarta-feira, Maio 13, 2009 por máximo. 

And you may find yourself living in a shotgun shack
And you may find yourself in another part of the world
And you may find yourself behind the wheel of a large automobile
And you may find yourself in a beautiful house,
with a beautiful Wife
And you may ask yourself
-well...how did I get here?
Letting the days go by
let the water hold me down
Letting the days go by
water flowing underground
Into the blue again
after the moneys gone
Once in a lifetime/water flowing underground.
And you may ask yourself
How do I work this?
And you may ask yourself
Where is that large automobile?
And you may tell yourself
This is not my beautiful house!
And you may tell yourself
This is not my beautiful wife!
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Water dissolving...and water removing
There is water at the bottom of the ocean
Carry the water at the bottom of the ocean
Remove the water at the bottom of the ocean!
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Same as it ever was...
Etiquetas: Pele
Publicado Quinta-feira, Abril 23, 2009 por máximo. 

O que é a realidade? Dizem alguns cientistas que é o que nos queremos ver. Um jogo de espelhos? Bom, as divagações à volta de umas garrafas de cerveja, mijam-se, arrotam-se e passam. No entretanto, na sala ao escura ao lado os objectos dançam a seu belo prazer.
Etiquetas: Séries
Publicado Quarta-feira, Abril 08, 2009 por máximo. 

Já tinha ouvido bastantes descrições de Cape Town. Todas elas foram insuficientes perante a estranha beleza daquela cidade e arredores. Nem parece África. É uma mistura de modernismo arquitectónico, praias e glamour, montanhas e quintas vinícolas.
Foto de Francisco Máximo
A cidade parece um grande centro financeiro onde nada está ao acaso. Restaurantes, bares, diversão nocturna, clubes, museus e muita arte e cultura. Fora da cidade, as grandes avenidas marginais serpenteiam a costa com casas luxuosas que se espalham pelos declives até ao mar.
Foto de Francisco Máximo

Pelo meio percebe-se que o apartheid deixou marcas profundas na população negra e que ainda hoje os bairros segregados dos trabalhadores sao guetos no meio do luxo e da sumptuosidade de toda aquela região. É estranhamente bela...
Etiquetas: Ambiências
Publicado Quarta-feira, Março 25, 2009 por máximo. 

Partilho convosco mais uma deliciosa crónica de Mia Couto.
A Crónica de Mia Couto
"Quer dizer, a grande vantagem de estarmos no Poder é que, para sermos empresários, não precisamos de empreender nada. A bem dizer, nem precisamos de empresas."
- Meu querido marido, escutou o noticiário?
- Não. Há novidades importantes?
- Diz o noticiário que você deixou de ser ministro.
- Afinal, eu ainda era ministro?
- Disseram que era. Não sabia?
- Tinha uma vaga ideia. Mas acho que se enganaram, também estes jornalistas divulgam cada coisa, sabe como é: jornalismo preguiçoso...
- Mas aquilo era um comunicado oficial. E disseram claramente o seu nome. Eu não fazia ideia. Pensei que era só empresário.
- Ai é? Saí no noticiário? Mostraram a minha foto?
- Não. Mas, diga-me lá, marido, você era Ministro de quê?
- Ministro dos Assuntos Gerais. Uma coisa assim... Já agora, você reparou se disseram quem era o novo ministro?
- É um dos anteriores vice-ministros.
- Afinal havia mais que um?
- Havia sete vice-ministros.
- Sete? Eh pá, aquilo não era um Ministério, era um Vice-Ministério.
- Fica triste, marido?
- Bom, pá, paciência. Mais importante são os meus cargos nas 15 grandes empresas.
- Ontem, no nosso jantar, você disse que eram 35...
- Minha querida, você escutou mal. Não há, no país inteiro, 35 grandes empresas. Aliás, a maior parte dos empresários de sucesso ainda anda à procura de empresas.
- Não entendo essa matemática.
- É que, no nosso país, há mais empresários que empresas.
- Trinta e cinco... Trinta e cinco são os nossos anos de casados. E estou tão orgulhosa de si, meu ex-ministro, você foi sempre tão ambicioso...
- Ambicioso, não. Ganancioso.
- E qual é a diferença?
- O ambicioso faz coisas. O ganancioso apropria-se das coisas já feitas por outros.
- Você apropriou-se de mim que fui feita por outros.
- Isso é verdade, cara esposa. Uma coisa é verdade: vai-me fazer falta o poder.
- O poder? Não me diga que lhe está faltar o poder, marido?
- Alto lá, falo apenas do poder político. Quer dizer, a grande vantagem de estarmos no Poder é que, para sermos empresários, não precisamos de empreender nada. A bem dizer, nem precisamos de empresas.
- Mas, marido, eu também tenho empresas, você diz que colocou uma data de empresas em meu nome.
- Tem razão, minha querida. Vou usar das minhas influências e pedir para você ser nomeada Ministra.
- Eu, Ministra? Para quê?
- Que é para, a partir da agora, você abrir empresas em meu nome.
Crónica de Mia Couto, escritor moçambicano, publicada na edição de Fevereiro da revista África 21
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Publicado Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009 por máximo. 
Ele era um idealista, ou pensava ser. Tinha sérias dúvidas sobre a sua própria ideologia. Nos momentos de introspecção não tinha resposta convincente se o que o movia era uma moda anarquista e esquerdista de oposição ao sistema vigente se era mesmo uma convicção assumida e profunda. Fosse como fosse, sentia-se atraido pela rebeldia e pelo acto de contestação ao sistema.
Não tinha respostas nem alternativas que de facto o convencessem sobre os caminhos que a sociedade deveria trilhar para sair desta espiral que o liberalismo desenfreado a havia colocado. Sentia sim que este caminho não era o seu. Protestava convictamente em todos os eventos que surgiam por esse mundo fora.
Fosse nas marchas antiglobalização, nas manifestações pelos direitos das minorias e das liberdades sexuais, nas manifestações pela libertacao da palestina, do Tibete e de todas as regiões do planeta onde se oprimia a autodeterminação dos povos, nos movimentos ecologistas e nas mais variadas petições sobre os direitos dos animais. Envolvia-se a troco de nada com toda a espécie de ONG que proliferavam como cogumelos em todos os cantos do mundo, daquelas que so se justificam, alimentam, engordam e beneficiam com a desgraça perpétua dos povos ficando para os desgraçados apenas circo de ocasião para justificar todo um sequito da dita ajuda internacional.
O seu ar e o seu modo de vida integrava-se num esteriotipo destes tempos. Rastas, roupas hippies do sec. XXI, saco de plastico com garrafas de alcool que partilhava com os amigos e, obviamente, drogas, de todo o género em todo o género de festas rave.
Nos cada vez mais escassos momentos lucidos que tinha dava por si a pensar que a sua relação com o alcool e as drogas, que todos os circuitos que percorria faziam dele apenas mais um mainstream neste mundo globalizado. Afinal aquilo que pensava que o distinguia do mainstream, a sua consciencia rebelde e antisistema não passava de mais uma instrumentalização criada pelo proprio sistema para lucrar e se perpetuar.
E com este pensamento deprimente e inquietante deciciu tomar uma atitude: tomou de um trago uma garrafa de vodka barato acompanhado com umas trips. Estava pronto para mais uma batalha.
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